Um piso recém-assentado pode parecer perfeito de frente e revelar pequenos degraus entre as peças assim que a luz bate de lado. Esse defeito tem nome técnico, chama-se lippage, e está entre as reclamações mais frequentes em obras de revestimento.
O nivelador de piso existe justamente para evitar esse problema, pois mantém as placas no mesmo plano enquanto a argamassa cura. Só que a ferramenta não faz milagre sozinha, já que o resultado depende de preparo de base, argamassa correta e técnica de aplicação.
Este guia mostra como usar o nivelador de piso do começo ao fim, desde a escolha do modelo até a remoção das peças, com os cuidados que realmente mudam o acabamento final.
O que o nivelador de piso faz enquanto a argamassa cura
O sistema é formado por duas partes que trabalham juntas. Uma base com haste passa por baixo do tardoz de duas peças vizinhas, enquanto uma cunha, anel ou rosca pressiona a superfície do revestimento por cima. Essa pressão força as duas placas a ocuparem o mesmo plano, mesmo que exista diferença de espessura ou curvatura entre elas.
Ao mesmo tempo, a haste funciona como espaçador e define a largura da junta de assentamento. Ou seja, o profissional resolve dois problemas em um único movimento, porque garante alinhamento vertical e regularidade das juntas sem depender apenas do olho e do martelo de borracha.
Há um detalhe que poucos consideram. Argamassa fresca continua cedendo nas primeiras horas, principalmente em peças grandes e pesadas, então uma placa que estava nivelada durante o assentamento pode afundar alguns décimos de milímetro depois. O nivelador impede esse deslocamento até o início da cura, e é aí que está o ganho real de qualidade.
Quando o uso do nivelador de piso é indispensável
Em formatos pequenos, um assentador experiente consegue um bom resultado com espaçadores comuns. A situação muda conforme a peça cresce, pois porcelanatos de grande formato e placas retificadas apresentam curvatura de tardoz mais evidente e juntas mais estreitas, o que deixa qualquer desnível à vista.
O nivelador se torna praticamente obrigatório nos casos de porcelanato acima de 60 x 60 cm, de peças retificadas com junta mínima, de revestimentos de parede em grandes dimensões e de mármores e granitos, materiais em que o polimento amplia a percepção de qualquer degrau.
As normas brasileiras de assentamento, NBR 13753 e NBR 13754, tratam de espessuras de junta e planeza, logo trabalhar com uma ferramenta que controla esses dois parâmetros facilita a entrega dentro do esperado.
A preparação antes de assentar a primeira peça
Nenhum nivelador corrige um contrapiso ruim. A ferramenta iguala peças vizinhas entre si, mas não recupera uma base com ondulações de vários milímetros, porque isso exigiria camadas de argamassa muito desiguais e aumentaria o risco de descolamento.
Antes de começar, confira a planeza da base com régua de alumínio e nível, limpe poeira e resíduos de desmoldante e corrija pontos baixos com argamassa de regularização. O substrato precisa estar curado e isento de umidade excessiva, já que a cura da argamassa colante depende diretamente disso.
Separe também a desempenadeira dentada indicada para o formato do revestimento e faça o teste de tempo em aberto da argamassa. Pressione uma peça, retire e observe a transferência. Se o tardoz não sair com pelo menos dois terços da superfície coberta, a argamassa já perdeu a aderência e precisa ser reaplicada.
Passo a passo para usar nivelador de piso
Com base preparada e material conferido, o processo segue uma sequência simples, desde que executada com atenção em cada peça.
- Aplique a argamassa colante no piso com a desempenadeira dentada, formando cordões em um único sentido, e repita a aplicação no tardoz da peça sempre que o formato exigir dupla colagem.
- Assente a primeira placa pressionando e batendo com martelo de borracha, de modo que os cordões se esmaguem e o ar seja eliminado.
- Retire o excesso de argamassa das bordas com a colher de pedreiro, pois esse resíduo atrapalha o encaixe da base do nivelador.
- Posicione as bases do nivelador de piso sob a borda da peça já assentada, com a haste apontando para o espaço da próxima placa.
- Assente a peça seguinte encostando na haste, que define a junta, e confira o alinhamento geral da fiada.
- Encaixe a cunha, o anel ou a rosca na haste e aperte até sentir resistência firme, sem forçar além do necessário, porque pressão exagerada pode lascar a borda do revestimento.
- Avance repetindo a sequência e verifique o plano com régua a cada poucas fiadas, enquanto a argamassa ainda permite ajuste.
- Respeite o tempo de cura indicado pelo fabricante da argamassa antes de remover qualquer peça do sistema.
Quantos niveladores usar em cada peça
A quantidade varia conforme o formato e o peso do revestimento. Como referência de campo, trabalha-se com dois a três pontos por lado da peça, mantendo espaçamento aproximado de 15 cm a 20 cm entre as bases, e reforça-se o número nos cantos, que concentram a maior parte dos desníveis.
Peças muito grandes ou muito pesadas pedem mais pontos de apoio, principalmente em placas finas de grande dimensão. Faltando niveladores, a peça trabalha no centro e cria uma leve barriga, defeito difícil de perceber durante o assentamento e impossível de corrigir depois.
Como remover o nivelador sem danificar o acabamento
A remoção precoce é um dos erros mais comuns em obra. Enquanto a argamassa não atinge resistência suficiente, qualquer movimento desloca a peça e anula todo o trabalho anterior, então o ideal é seguir o prazo do fabricante, que em geral fica na faixa de 24 a 48 horas conforme temperatura e umidade.
Passado esse tempo, solte as cunhas e rompa a base com um golpe lateral, aplicado paralelamente à junta com martelo de borracha ou com a lateral do calçado de segurança. Bater de cima para baixo é um risco desnecessário, pois a fratura pode subir e trincar a borda do revestimento.
As bases rompidas ficam sob o piso e o que sobra vai para o descarte reciclável. As cunhas, por outro lado, podem ser reaproveitadas em várias obras, o que reduz custo por metro quadrado ao longo do tempo.
Como escolher o nivelador de piso certo para cada obra
A escolha começa pela espessura do revestimento, pelo formato da peça e pela largura de junta desejada. Cada modelo é projetado para uma faixa de espessura, uma vez que a base precisa passar sob o tardoz com folga mínima, e a haste define a junta final. Mármores e granitos, por causa do peso e da superfície polida, pedem sistemas específicos com maior área de apoio.
Também pesa a produtividade. Sistemas de cunha são rápidos e econômicos em grandes áreas, enquanto modelos com rosca oferecem controle mais preciso da pressão, algo útil em peças delicadas ou em assentamento de parede.
A Cortag, com 30 anos de atuação no setor da construção civil e presença em mais de 45 países, desenvolve niveladores de piso voltados ao mercado profissional, dentro de uma linha completa de soluções para corte, assentamento e acabamento de pisos cerâmicos e porcelanatos.
Para o assentador que trabalha com grandes formatos no dia a dia, padronizar o sistema de nivelamento com um fornecedor de referência facilita o cálculo de consumo e a previsibilidade do resultado.
Se você precisa definir o modelo ideal para o seu tipo de revestimento ou quer orientação técnica para padronizar o nivelamento nas suas obras, fale com a equipe da Cortag pelo canal de contato e tire suas dúvidas antes da próxima instalação.